O que esperar da Trilha dos Tropeiros, em Siderópolis

Falar sobre o caminho dos tropeiros pode ser, como dizem, chover no molhado. Rota esta, muito conhecido na região e que, muitas pessoas fizeram este caminho repetidas vezes. Porém falar do caminho dos tropeiros com a visão de um montanhista é uma outra história. Não é apenas um caminho que liga os municípios de Siderópolis com o planalto serrano em Bom Jardim da Serra, na qual foi muito usado no século passado para o comércio, principalmente de gados, onde desciam com porcos, ovelhas e até mesmos perus.

Com aproximadamente 10 km de extensão e 1000 metros de altimetria (subida de 1000m) o caminho corta a Reserva Biológica do Aguaí, inserido em um dos principais ecossistemas do planeta, hoje ameaçado. Durante todo o percurso podemos perceber nitidamente a troca de vegetação, de ambiente. O trajeto é composto pela floresta Ambrófila Densa, que é a Mata Atlântica (parte dos 8% restantes do território latino-americano) que está dentro dos vales, pelas matas Ciliares (que cruzamos por todo o percurso nos arredores dos rios até chegar nas matas Nebulares), pelos Campos Naturais de altitude e pelas Florestas de Araucárias. Além de toda esta riqueza das florestas também podemos perceber parte da história da formação dos vales e cânions. Como exemplo, o Arenito Cotucatu (tipo de rocha), que aflora em vários pontos do caminho, onde em um deles se tem a possibilidade de escalada, com vias de até 180m. Trata-se do setor da Galeria, como chamam os escaladores. Esta mesma formação funciona como se fosse uma esponja que retém água e cria uma das maiores reservas de água doce do planeta, o aquífero Guarani. Mais ao alto, próximo aos campos de altitude, sinais do maior derramamento de lava vulcânica da história do planeta, o afloramento das rochas de basalto, a pedra ferro como muitos chamam.

 

 

Muito diferente de subir o caminho dos tropeiros apenas para subir e descer, é poder ter a oportunidade de subir vendo tudo isso que contamos identificando cada detalhe, além de muita coisa que não citamos aqui. Subir o caminho, acampar na borda dos vales, ver o sol nascer fazendo um yoga, sentindo a presença total da natureza, em silêncio, sentindo o vento dos campos de altitude no rosto. Muito melhor que apenas subir é sentir todas as sensações que este incrível caminho pode nos proporcionar.

 

Por

Filipe Ronchi– montanhista escalador, com experiências em longas travessias e caminhadas de todos os níveis nas serras brasileiras. Tem no currículo, escaladas em grandes paredes brasileiras, na Cordilheira dos Andes e Patagônia além de travessias em glaciares e escalada em gelo. Conquistador de boa parte das vias de escalada na Serra Geral Catarinense. E-mail: filiperonchi@gmail.com – (48) 9107-5006 e WhatsApp (48) 9936-0998.

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